Em todo o Brasil, onde houvesse rádio ligado, o jogo estava sendo acompanhado, além dos serviços de alto-falantes instalados em muitas cidades do interior, onde os rádios eram escassos. Quando o time entrou completo, muitos choraram de felicidade, balançando suas bandeirinhas. O título tão esperado estava a caminho, pois, afinal de contas, um empate, um simples empate, traria para o Brasil o tão sonhado título de Campeão do Mundo. Não tinha como não dar certo.
E o juizforano Wilson Cid estava lá no meio da multidão, acompanhando de perto toda a festa.
No primeiro tempo nada acontece e a peleja termina empatada. A cautela de todos, os passes curtos e laterais por parte dos brasileiros começam a irritar a torcida, que queria um time ofensivo e guerreiro. Mas os uruguaios fazem uma marcação cerrada, além de contar com uma ótima atuação do goleiro Máspoli. Quando o juiz apita o fim do primeiro tempo, a massa se olha em clima deesconforto. Com desconforto, mas, ainda, confiando plenamente no timaço do Brasil.
Vem o segundo tempo; e quando, logo no início da partida (aos 2 minutos), Jair da Rosa Pinto dá um passe sob medida para o craque Friaça, que balança a rede adversária sem apelação, o Maracanã treme. Era a vitória.
Os jogadores entram duro em todas as jogadas. O time brasileiro começa a ficar nervoso, principalmente a zaga. E quando os perplexos jogadores brasileiros viram-no esbofetear o ponteiro Gigghia, por ter pipocado diante de Bigode, mais nervosos ainda ficam.
Os jogadores entram duro em todas as jogadas. O time brasileiro começa a ficar nervoso, principalmente a zaga. E quando os perplexos jogadores brasileiros viram-no esbofetear o ponteiro Gigghia, por ter pipocado diante de Bigode, mais nervosos ainda ficam.
Repentinamente, começa o desastre: aos 21 minutos, enredando Bigode na linha de fundo, Gigghia cruza, e o meio-esquerda uruguaio Schiaffino toca de leve para as redes. É o empate tão temido. O Maracanã emudece; cessam os ruídos e as risadas.
Na verdade, muitos nem viram o gol de empate do Uruguai, já comemorando a conquista brasileira. Porém, de qualquer maneira, o empate ainda era bom para o Brasil, apesar de a torcida verificar que o descontrole e nervosismo de seu time eram visíveis.
Aos 32 minutos do segundo tempo, em uma jogada pela lateral, Bigode, descontrolado, não consegue desarmar o impetuoso ponteiro uruguaio, que corre para a área e se prepara para o cruzamento. Juvenal sai para a cobertura de Bigode, enquanto Barbosa se precipita para interceptar a bola. Neste momento, aparece aos olhos de Gigghia um espaço entre Barbosa e a trave.
O uruguaio, então, ao invés de cruzar, chuta em direção àquele buraco, pegando Barbosa no contrapé. Mais tarde, também se disse que o goleiro brasileiro ainda tocara na bola, pensando mesmo que houvera um escanteio. Porém, antes mesmo de se levantar, nota as comemorações da equipe adversária e o pesado silêncio que se abate sobre o Maracanã.
Apesar de não apreciar tanto o futebol, Cid não se conteve diante do silêncio. "Ver aquele Maracanã calado daquela forma foi algo que marcou minha vida." Revelou Cid.
Assista no vídeo abaixo a decepção dos torcedores brasileiros:

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